Próxima pauta, mas já?

por Paula Simões

Diante das manifestações referentes a redução da tarifa do ônibus, muitas pautas sobre diversos problemas tem surgido, contra a PEC 37, Impeachemeant da Dilma e do Alckmin, fim da corrupção, fim da copa, fora Lord Voldemort, mas a pauta do transporte já acabou?

Durante a coletiva de imprensa do prefeito da cidade de são Paulo, Fernando Haddad e o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin alegaram que a redução da tarifa irá afetar o investimento (do transporte? da saúde? Da educação?), que as empresas não tem condições para arcar com esses custos.  http://www.youtube.com/watch?v=6rSz7LIJfnQ

Por isso, neste instante está sendo protocolada uma proposta de instauração de uma CPI dos transportes na Câmara dos vereadores da cidade de São Paulo, pelo vereador Ricardo Young do PPS. O momento é pertinente, pois as contas e concessões das empresas de transporte se mostram bastante obscura. Para quem não sabe, a prefeitura subsidia a tarifa de ônibus. Mas com o desvio das manifestações para outras causas, algumas genéricas, e o encerramento do debate em torno do transporte, com a redução vitoriosa dos 20 centavos, podem fazer essa busca pela transparência se tornar figurante e desaparecer da pauta das manifestações.

 

O Movimento Passe Livre se considera vitorioso, com a redução de 20 centavos na passagem, e na última quinta-feira (20) chamou a população às ruas para comemorar e transmitir solidariedade às outras cidades que ainda não reduziram a tarifa. Antes do ato, conversamos com um dos representantes do movimento, Lucas Monteiro. Questionado sobre a próxima luta da MPL ele foi claro, “o objetivo é a tarifa zero”, mesmo concordando que há obscuridades nas empresas de transporte, o movimento, no momento, não pensa em fazer nenhuma manifestação sobre isso ou sobre a declaração do prefeito e do governador, mas garantiram que vão acompanhar as negociações para a renovação de concessões, previstas para ocorrerem em julho, dependendo, pode ser que eles organizem alguma coisa.


Sobre essa obscuridade e os próximos passos da pressão popular pela transparência, o jornalista, ex-editor da revista Caros Amigos e professor do curso de jornalismo da PUC-SP, Hamilton Octavio de Souza, explica::

“Os governos estaduais e municipais precisam dar transparência ao custo dos transportes públicos, os contratos com as concessionárias. No caso dos ônibus de São Paulo, quais são as empresas privadas que operam o sistema, quem são os donos dessas empresas, quais as margens de lucro etc. É preciso saber se essas empresas concessionárias contribuiram com doações para as campanhas eleitorais de 2012. Tudo indica que essas empresas ganham muito dinheiro com a prestação de um serviço ruim. O povo tem o direito de saber os detalhes dessa situação. Ameaçar a retirada de recursos de outras áreas sociais (hospitais, creches, escolas) é uma grande sacanagem; primeiro é preciso mostrar todas as contas do transporte coletivo. É claro que cabe ao MPL, ao povo e à imprensa cobrar essa transparência. Pode ser sim um novo item na pauta de reivindicações das manifestações de rua. É preciso que os governantes se reportem ao povo. Essa seria uma grande mudança na política”

Sim, “o povo tem o direito de saber os detalhes dessa situação”, mas o povo ainda quer saber? Após a vitória, as manifestações se direcionaram para a PEC 37, uma das 5 causas reivindicadas por uma página anônima na internet e transformadas em viral. Enquanto os ônibus e trens das periferias continuam tão numerosos de usuários e ausentes de qualidade quanto os compartilhamentos que propõem estes novos focos de protestos.

 

 

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