Se vai o último bad boy do Rock brasileiro

 

 

Por Julia Brisset

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Irreverente, louco, alguns dizem que poeta, alguns dizem que sem noção. Na madrugada do dia 06 o vocalista da banda Charlie Brown Jr. foi encontrado morto no seu apartamento em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). Ele foi encontrado desacordado pelo motorista que ia levá-lo pra os compromissos do dia. Quando o SAMU (serviço de atendimento móvel de urgência) chegou ao local já constatou a sua morte.

Quem passou a adolescência no final da década de 90 ou nos anos 2000 sabe do que estou falando: músicas que falam de skate, mulheres, problemas financeiros e drogas. Falava com humor ou com palavras duras que soavam como poesia. Uma poesia simples e complexa.

Ele que já brigou com artista famoso (como o cantor Marcelo Camelo), ele que mostrava o dedo pra imprensa, ele que protestava contra o tratamento diferenciado para bandas estrangeiras, ele que se vestia mal, ele que era “sujão”, ele que só queria andar de skate, ele que era ele. Muitas brigas envolvendo a banda, muita mudança musical e até mesmo comportamental, mas não tinha como não ouvir os acordes malandreados de “Zóio de Lula” e não parar pra cantar, não sorrir…

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Em algumas músicas ele falava sobre sua fama e sobre como ele se sentia julgado por todos os lados a imprensa como em “Não é Sério”, com participação de Negra Li: “A polícia diz que já causei muito distúrbio, O repórter quer saber porque eu me drogo, O que é que eu uso…”. Falava das dificuldades para sua ascensão na música homônima ao nome da banda “Muita gente riu de mim, Quando eu disse que podia fazer o que quisesse da minha vida, Foram muitos anos de vivência, Muitos baldes de água fria na cabeça”, fez música para a esposa (Proibida pra mim), entre tantas outras…

A vida do cantor foi muito conturbada. Ele era tido como um dos mais polêmicos cantores e compositores do rock nacional. Em 21 anos de carreira musical, colecionou sucessos e brigas com outros músicos, inclusive da sua banda (o episódio mais famoso foi com o seu baixista “Champignon” no palco no final do ano passado – mas que foi resolvido dias depois).  

Antes da carreira não teve muitas mordomias: a sua mãe era doméstica, fazia pastel, cozinhava pra fora pra ele ir entregar. Com o divórcio de seus pais aos 11 anos ele se rebelou contra tudo e todos se tornando um adolescente problemático, largando os estudos na sétima série e tendo problemas com a polícia. Quando em 2001 seu pai faleceu, Chorão pediu uma pausa junto aos companheiros de banda, que o respeitaram, depois de 6 meses de depressão ele voltou aos palcos.

Era também muito ligado ao skate – praticava o esporte e chegou a fundar uma pista. Inclusive seu apelido veio de quando ele ainda não sabia andar que um amigo pediu para ele não chorar de inveja, na época ele tinha apenas 14 anos.

Além de cantor e compositor ele se tornou empresário de uma marca de roupas (a DO.CE) e roteirista do filme que conta a própria história (“O Magnata” dirigido pelo videomaker Johnny Araújo).

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O Alexandre era filho carinhoso, o Chorão era cantor inquieto, poeta do skate e da vida jovem, amigo briguento, mas que cuida de quem ama. Vá em paz representante da minha geração: dá um abraço nos nossos ídolos, faz um som com eles, só você pode isso.

“O tempo às vezes é alheio à nossa vontade mas só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível”. Você pra mim é inesquecível. Obrigada pelas músicas e pelos shows!

–trilha sonora: “Preço” 

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