A espera de uma vida

Por Anna Rombino, Raquel Melo e Ru Arriaza

É impossível imaginar uma família feliz, estilo comercial de margarina, sem um lindo bebê. Esse é o grande objetivo de muitos homens e mulheres, gerar uma outra pessoa que possa chamar de filho. Porém, por vezes, esse sonho se antecipa. No Brasil, de todos os partos realizados pelo SUS em 2007 de gestantes de 10 a 24 anos, 23% é a porcentagem de novas mães na faixa etária de 15 a 19 anos. Nessa fase, os jovens são mais sonhadores, e uma gestação pode acabar com muitos planos, ou pelo menos, afastá-los da realidade do momento. Alguns acabam recorrendo à métodos abortivos, mas outros optam por ter a criança, e acabam mudando o rumo de suas vidas. Falamos com dois jovens que têm uma história para contar. Confira aqui.

Juma Tanaka, 19 anos, recebeu uma visita que faria muitos jovens perderem o chão, soa bobo falar assim, mas pela história que ela tem para nos contar, que tem pitadas até de conto de fadas, merece essa definição.  Juma recebeu uma visita da cegonha.
O que tem de conto de fada nestas histórias? Bom, vou começar dizendo o que não tem: Abóboras que viram carruagens,  animais falantes e sapatos de cristal. Mas tem algo que nas horas de aperto é algo que nos da fôlego.  É esperança.
“Perceber que você esta grávida é uma mistura de muitas emoções, é medo,é alegria, é inexplicável. Você se sente sozinha, desamparada, mas dependendo da sua situação você vê que não são só os seus braços que seguram a barra”.
Com essas palavras, Juma Tanaka começa o relato. –“Eu não senti medo por ser jovem, o que mais assusta são as imposições da sociedade. Sempre temos que ser perfeitos, ricos e bonitos. Você se sente desolado com as pessoas te olhando, te julgando, como se isso fizesse delas algo melhor do que os demais. ”
Com o apoio incondicional da família, tanto do pai quanto da mãe, Noah, filho da Juma, foi recebido na casa dos Tanaka. Infelizmente, junto com outros problemas, os médicos diziam que ele não sobreviveria, ele tem hidrocefalia. Ele iria precisar de ajuda para se alimentar, para respirar. Mas não foi o caso, ele sobreviveu ao parto e está forte.
Juma nos diz o seguinte: Seu filho é o seu maior tesouro. Mesmo tendo engravidado aos 17 anos, ela conseguiu dar continuidade a sua vida. Cursa psicologia e não se arrepende das coisas que teve de abrir mão –“Muita gente falava, Juma você vai abrir mão da sua vida, da sua liberdade! Aquilo era algo que me irritava, eu não estou livre pra segundo eles, abrir mão da minha liberdade? Que liberdade é essa? Eu fiquei muito feliz de dar á luz ao Noah, fazer parte de algo maior do que você mesmo. O nascimento”.
Ela manda um conselho para aqueles que se encontrarem na mesma situação que ela a um tempo atrás. –“Aproveitem, é uma fase muito gostosa. Sentir outro coraçãozinho batendo dentro de você, comer, respirar, viver por dois. É algo lindo, e por mais que você possa vir a  se sentir assustada,e isso é algo importante também,  pois o medo põe nossos pés nos chão, não se deixe dominar por ele. Você precisa ser forte, e feliz.”
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Os dois eram melhores amigos. Um dia perceberam que queriam ser mais que isso e ficaram juntos. Brigaram e “desbrigaram” mais vezes que seus amigos podiam suportar. Juraram nunca mais ficar juntos. Mas o amor falou mais alto. Depois de nove meses nesse relacionamento a história de Lucas Zanini, 18 anos, e Maíra Beníguino, 17, sofreu outra reviravolta e o maior medo de um casal adolescente se tornou realidade: Ela estava grávida. Os dois sentiram um misto de medo, alegria e insegurança. Daí veio o desafio de contar para os pais que eles viriam a ser avós, que apesar do choque inicial e da decepção, aceitaram e ficaram muito felizes. As futuras vovós até choraram de emoção.
Agora o casal faz planos de ir morar juntos no começo de novembro, já que o nascimento da menina (eles ainda estão entre os nomes Valentina e Manuela) está previsto para o dia 14 de dezembro. Lucas, que é estudante de psicologia no Mackenzie vai continuar trabalhando meio período e no começo terá ajuda dos pais e sogros com as contas da criança e do apartamento que eles vão morar só os três. “Eu vou ter que abrir mão de comprar as coisas pra mim, de pensar só em mim mesmo. Não que eu seja egoísta, mas agora eu venho em 3º plano, depois da minha filha e da minha família” disse Lucas “Mas ao mesmo tempo, ser pai é um sonho que eu tenho desde pequeno, ainda mais de uma menina. Ela só veio um pouco antes do que eu esperava, mas era pra ser assim.”
Lucas também deu um conselho pra quem está na mesma situação que ele: “A gente tem que tirar o melhor de tudo, aprender com cada situação que a vida nos surpreende, há males que vem para o bem”. Imagem

Aqui vai uma dica de um filme que fala um pouco disso.

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